Data: 16/03/10
Fonte: Valor Econômico
Por: Daniela D’Ambrosio
A farmacêutica EMS, maior laboratório de capital nacional, líder na fabricação de genéricos e faturamento de mais de R$ 2,2 bilhões no ano passado, faz a sua primeira incursão fora do negócio de medicamentos. Estreia no setor imobiliário com uma incorporadora que já nasce com um banco de terrenos capaz de gerar mais de R$ 2 bilhões em lançamentos. Uma soma valiosa de ativos da própria companhia e do patrimônio dos acionistas da EMS, o controlador Carlos Sanches e seus dois sobrinhos – agora matéria-prima da nova empresa.
Além das propriedades distribuídas pela região de Campinas e ABC paulista – as duas fábricas da EMS estão em Hortolândia e São Bernardo do Campo -, o aquecimento do mercado imobiliário também estimulou os donos do laboratório a enveredar pelo novo caminho. Já investiram R$ 20 milhões no negócio, incluindo a aquisição de terrenos (alguns pagos em permuta) e na montagem da estrutura.
Batizada de ACS Incorporadora, as duas últimas letras referem-se às iniciais do controlador e a primeira para dar sonoridade à sigla, a incorporadora terá uma atuação bastante abrangente: de loteamentos a imóveis residenciais e comerciais. O foco são imóveis dentro do limite do Sistema Financeiro de Habitação (SFH, que permite o uso do FGTS na compra do imóvel), que vai até R$ 500 mil, mas a empresa também pretende atuar no mercado de alto padrão e, pontualmente, na baixa renda. Já tem um terreno em Sumaré, por exemplo, que deve ser usado para um empreendimento no segmento econômico.
Para comandar a nova operação, a EMS contratou Silvio Chaimovitz, executivo com 24 anos de experiência no mercado imobiliário e que passou os últimos dez anos na Klabin Segall. Chaimovitz entrou na operação no fim do ano passado e já começou a comprar terrenos. “Nosso objetivo é lançar R$ 250 milhões este ano”, afirma.
O plano de negócios da companhia já está estruturado para que, em três anos, possa gerar um faturamento de R$ 500 milhões. Para 2011, a ACS Incorporadora tem planos de lançar R$ 400 milhões, em 2012, R$ 600 milhões e em 2013, de R$ 700 milhões a R$ 800 milhões. “O objetivo é montar uma empresa de grande porte”, diz o novo presidente. Além das regiões de Campinas e ABC, a incorporadora também pretende ter uma forte atuação nos segmentos de média e alta renda na cidade de São Paulo – mercado que entrou no radar de várias empresas.
O primeiro lançamento da empresa farmacêutica na área imobiliária é um condomínio residencial de alto padrão em uma área de 15 mil metros quadrados em Barão Geraldo, distrito de Campinas. São 55 casas vendidas entre R$ 430 mil e R$ 450 mil.
O maior terreno da nova companhia é uma antiga fazenda de mais de 20 milhões de metros quadrados, dividida entre os municípios de Paulínia e Jaguariúna. Somente este terreno deve gerar lançamentos de cerca de R$ 1,5 bilhão – todos os outros projetos somam R$ 500 milhões. O projeto, que envolve um complexo desenvolvimento urbanístico e foi entregue a um escritório de arquitetura americano, será uma mescla de empreendimentos residenciais, comerciais e industriais.
A entrada de companhias de grande porte e empresários capitalizados na área imobiliária é recorrente. A Fibra Realty nasceu dos ativos do Grupo Vicunha. No próprio setor farmacêutico, o laboratório Aché, terceiro maior do setor, é dono da Partage, braço de investimento imobiliário. Uma das últimas grandes transações foi a compra de 50% do edifício que abriga hoje a sede do escritório de advocacia Pinheiro Neto, na Marginal Pinheiros, da JHSF por R$ 60 milhões.
O agora concorrente João Alves de Queirós Filho, Júnior, dono da Hypermarcas, também atua no setor. Diretamente, através da holding Monte Cristalina e por meio do fundo Bramex, constituído em sociedade com rês investidores mexicanos (ex-acionistas do banco Banamex, vendido ao Citigroup), que investe na incorporadora Stan.
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fantastico a diversificação de ativdades empresáriais é o primeiro passo para se manter no topo e ampliar para novos e produtivos ngócios.