CEF busca fonte para crédito imobiliário

Data: 31/05/10
Fonte: Folha de S. Paulo
Por: GIULIANA VALLONE e MARIANA SALLOWICZ

À procura de alternativas para financiar a casa própria, banco prepara a 1ª emissão de títulos de sua carteira

Com a demanda em alta, setor prevê que em breve a poupança não será suficiente para atender os pedidos

DE SÃO PAULO – A Caixa Econômica Federal deve fazer a emissão do primeiro pacote de securitização de sua carteira de crédito imobiliário neste ano, para levantar recursos.

A securitização consiste na transformação da carteira de crédito em um ativo financeiro. A instituição divide a carteira em partes e as vende como títulos no mercado.

O comprador é remunerado no longo prazo com uma taxa de juros que varia de acordo com o papel. O banco, por sua vez, consegue, ao vender esses títulos, antecipar o recebimento dos recursos dos financiamentos.

De acordo com o vice-presidente de governo do banco, Jorge Hereda, a operação terá volume pequeno e servirá como teste para um lançamento maior em 2011. A emissão será feita por meio de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).

A ideia da Caixa é buscar uma fonte alternativa de recursos para o crédito habitacional, que hoje vêm basicamente da poupança e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

De acordo com estudos da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), os recursos da caderneta para financiamento à casa própria chegarão ao limite até 2013. A partir daí, as instituições terão de buscar outras fontes de recursos.

“O crédito imobiliário está crescendo num ritmo muito acelerado e, em um determinado momento, a poupança não vai ter mais recursos para atender a demanda futura”, diz Luiz Antonio França, presidente da entidade.

RITMO ACELERADO

No acumulado do primeiro trimestre, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança atingiram R$ 9,98 bilhões, alta de 70% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a Abecip.

No mesmo período, a captação líquida da caderneta cresceu apenas 1%, em R$ 2,53 bilhões.

“Em países como o México e o Chile, a relação entre a carteira de crédito imobiliário e o PIB [Produto Interno Bruto] fica entre 10% e 15%. No Brasil, ainda está em cerca de 3%. Há potencial de crescimento e, para que isso ocorra, é preciso debater o “funding’”, diz Hereda.

Mas, para França, a securitização tem atratividade limitada. “A poupança paga juros mais TR [Taxa Referencial]. Um ativo atrelado à TR não tem muito interesse para os investidores.”

A Caixa confirma que esse tipo de operação não é tão atraente para grandes investidores que buscam papéis atrelados a índices que apontem tendência de preços, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Porém a operação é vista como uma alternativa para o investidor de varejo, que não tem rejeição à TR, diz um especialista do banco.

Para esse técnico, a emissão servirá para construir um modelo que possa ser usado quando esse tipo de operação for mais atraente para o investidor e funcionará como teste de mercado.

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Postado por on 31 de maio de 2010. Arquivado em Financiamento Imobiliário, Notícias do Mercado. Você pode seguir qualquer resposta desta entrada através de RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta a esta entrada

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